Cidadania dá trabalho!
Os cariocas acreditam no poder encantatório das palavras. À força de pronunciá-las, é como se elas ganhassem vida e consistência. Cidadania é uma dessas palavras mágicas, incontornável em qualquer texto bem pensante sobre democracia, politicamente corretíssima. No entanto, a olho nu é perceptível quão anêmica é a nossa cidadania. E o melhor teste é entender a relação perversa entre a população e os governantes.
Nós e eles, é assim que nós, a população, nos referimos a eles, os governantes, uma relação de estranheza marcada, em geral, pela distância e pelo sentimento de desamparo. Eles fazem ou deixam de fazer e nós assistimos, compungidos ou indignados, mas quase sempre inertes. Esse desencontro é legitimado pela delegação de poderes que o voto outorga. Independentemente de quem governa, críticas são percebidas como instrumentos da oposição.
Aplaude-se ou critica-se um governo a priori, pela identidade que se tem ou não com ele. Esse primitivismo traduz-se na detestável expressão “não colocar azeitona na empada de fulano”,quando se recusa o aplauso merecido, o que é o contrário mesmo do espírito público que seria avaliar corretamente os governantes pelo seu desempenho. A muito poucos ocorre que cidadania é manter sob vigilância os governos, qualquer que seja a concordância ou discordância que se tenha com eles. É ser,de certa forma participe das políticas públicas, acompanhando seus rumos e ritmos, progressos e impasses.
Essa semana passei duas horas com o prefeito Eduardo Paes que,diga-se,com paciência e entusiasmo, expôs à equipe do Rio Como Vamos o Plano Plurianual (PPA) que mandou para a câmara de vereadores.Agora vamos nos debruçar sobre essa papelada,analisar as metas, conferir com os diagnósticos que já temos, verificar o quanto essas metas atendem às necessidades da cidade.E continuamos esperando pelo Plano Estratégico que vem por aí e completa os dados necessários ao monitoramento.Vai ser uma trabalheira mas monitorar políticas públicas dá mesmo muito trabalho.
Uma nova cultura política visa a qualidade de vida da população e, através de indicadores confiáveis, sabe se ela melhora ou piora. Desmente a demagogia, visão deformada e deformante que cria realidades fictícias e impede a construção de estratégias consistentes. Confronta políticos aos compromissos que assumem em campanha, mede o cumprimento das promessas fáceis que fazem, inaugura uma prática de acompanhamento e cobrança permanente de eficácia das políticas públicas.
Quem sabe como está sendo avaliada a escola em que estudam nossos filhos? Que espécie de educação estão recebendo?A violência aumentou ou diminuiu,aonde e porque? Há que aumentar o nível de informação da população sobre o andamento da saúde, dos transportes, da segurança, da moradia e de tantos outros aspectos constitutivos do seu cotidiano. O desafio é que qualquer pessoa possa se apropriar de dados confiáveis sobre qualidade de vida que a fortaleça para entrar em diálogo crítico com a administração pública. Dados,de difícil leitura e entendimento,mas que falam alto sobre a vida da população,estiveram quase sempre restritos ao uso de especialistas. Esse é um desafio conjunto para cientistas sociais ,a mídia e os comunicadores, a produção de uma informação honesta e clara, que forme e estimule uma opinião pública consciente de sua capacidade de pressão junto ao poder público.
Um território ,nossa cidade,nossos bairros.Um instrumento,o conhecimento de indicadores confiáveis,traduzidos e tornados inteligíveis para o conjunto da população.Uma cultura política, a cidadania como um agir permanente,um entendimento do que está em jogo e que afeta nossas vidas,a capacidade e decisão de interagir com a administração,cobrar resultados, opinar e fazer escolhas com conhecimento de causa.Assim se estimula a imaginação social sem a qual cidade alguma se alimenta.
Há quem diga que a política está morrendo,vitima dos desmandos de políticos desmoralizados.Inspira desprezo e desinteresse.Merecida agonia.Mas o que morre é a demagogia,.Enquanto ela se perde em seus próprios desmandos,aumenta na população a exigência de credibilidade,de eficiência,de resultados sensíveis em qualidade de vida.Não basta querer o bem da cidade,o que é por demais abstrato.Trata-se de querer o melhor,o cada vez melhor,o que pode ser medido ,a cada mês, a cada ano.E esse é um querer político.É isso que eu quero.Não é isso que você também quer?

Certamente! É o que eu quero também - o melhor para a nossa cidade.
Parabéns pelo blog. Bjs! Ana Luiza